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March 3, 2006
SouthAmerica: Mikhail Gorbatchov turned 75 years old on Thursday March 2, 2006.
He took the occasion to criticize the United States â he said he was sorry that the end of the cold war left the United States with a âComplex of superiority.â
It would be good for the entire world if the US got cured of that disease.
He said that the collapse of the Soviet Union and the end of the cold war was a gift that the United States just thrown awayâ¦.
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02/03/2006
âGorbatchov completa 75 anos e critica os Estados Unidosâ
By France Presse, in Moscou
Folha de Sao Paulo - Brazil
O ex-lÃder soviético e vencedor do prêmio Nobel da Paz Mikhail Gorbatchov completou 75 anos nesta quinta-feira e se declarou triste pelo fato de que o fim da Guerra Fria tenha deixado os Estados Unidos com o que ele chamou de "complexo de superioridade".
"Seria do interesse de todo o mundo que aquele grande paÃs da América se recuperasse dessa doença", declarou a jornalistas no inÃcio desta semana.
Gorbatchov, que lançou as reformas democráticas e econômicas que acabaram levando ao colapso da União Soviética, em 1991, descreveu o fim da Guerra Fria como um presente que os Estados Unidos jogaram fora.
Ele também denunciou uma crescente "russofobia", afirmando que "alguns no Ocidente gostariam de ver a Rússia estrangulada".
"A Rússia, com seu enorme potencial intelectual e militar e o controle de 42% das reservas naturais do mundo, causa medo no Ocidente, e até mesmo nossos amigos hoje temem o renascimento do império russo", afirmou.
O colapso da União Soviética tornou Gorbatchov impopular em casa e muitos afirmam que ele atuou como um cavalo de Tróia para o Ocidente.
"Ninguém é realmente grato, nem no exterior, nem em casa", disse o historiador russo Anatoly Utkin.
"Gorbatchov está profundamente desapontado com o Ocidente, especialmente com Washington, que não honrou praticamente nenhuma de suas promessas depois de todas as concessões [da União Soviética]", acrescentou.
"Gorbatchov se lembra bem que Washington sempre prometeu não avançar para o leste da fronteira da Otan [Organização do Tratado do Atlântico Norte]", disse Utkin, acrescentando que tais promessas sempre foram verbais.
Nikolai Zenkovich, autor da enciclopédia russa Elita, disse que, nas 40 visitas que Gorbatchov fez ao exterior durante os seis anos que passou no poder (1985-1991), ele "quase sempre cedeu a seus parceiros ocidentais".
"Ele também vê que o Ocidente não manteve seus compromissos oficiais, inclusive aquele sob o acordo assinado em outubro de 1990, em Viena, sobre a criação de uma Europa sem alianças: o Pacto de Varsóvia desapareceu, mas não a Otan", disse Utkin.
"Tudo isto deve ter alterado a atitude [de Gorbatchov]" em relação ao Ocidente, afirmou.
Na segunda feira (27), o ex-chanceler alemão Helmut Kohl --que estará entre os 300 convidados à festa de aniversário do ex-presidente soviético, no restaurante Napoleão, em Moscou, nesta quinta-feira-- prestou homenagem ao seu papel na reunificação da Alemanha, em 1990.
O ex-presidente americano, George Bush pai não pôde comparecer, mas enviou uma saudação em vÃdeo para a ocasião.
Foi durante a era Gorbatchov que os soviéticos, notavelmente os intelectuais, começaram a se voltar para o Ocidente em busca de inspiração.
"Idealistas e maniqueÃstas por natureza, os russos da época voluntariamente inverteram um antigo esquema e designaram o Ocidente como o 'bem encarnado' e a si próprios como o 'mal'", concluiu Utkin.
Homenagem
O presidente russo, Vladimir Putin, disse nesta quinta-feira que Mikhail Gorbatchov é o homem que permitiu à Rússia "dar um passo decisivo rumo à democracia" e realizar uma polÃtica "de abertura" na cena internacional, por ocasião dos 75 anos do ex-presidente soviético.
O presidente russo enviou uma mensagem a Gorbatchov, na qual sublinha que o ex-lÃder soviético está entre "os polÃticos que influenciaram a história contemporânea do mundo".
"Seu nome está associado à transição para uma polÃtica de abertura nas relações internacionais. E, obviamente, à s mudanças que permitiram a nosso paÃs dar um passo decisivo para a democracia", escreveu o presidente russo em sua mensagem, segundo a agência Interfax.
Embora sempre muito prudente em seus posicionamentos e defensor, em termos gerais, da polÃtica de Vladimir Putin, o pai da perestroika (polÃtica de reforma, de abertura e de democratização da URSS lançada em 1985) chegou a criticar algumas iniciativas do Kremlin, sobretudo no domÃnio da liberdade de imprensa.
Ontem, Gorbatchov desmentiu ter assinado o pedido feito pelo ex-presidente tcheco Vaclav Havel e várias outras personalidades mundiais contra a polÃtica de Moscou na Tchetchênia e o "retorno à autocracia" na Rússia, por ocasião da visita de Putin a Praga.
Respeitado como figura histórica no Ocidente, mas criticado na Rússia, o ex-presidente soviético convidou na noite desta quinta-feira vários ex-lÃderes estrangeiros para sua festa de aniversário em Moscou, anunciou sua assessoria de imprensa.
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March 3, 2006
SouthAmerica: Mikhail Gorbatchov turned 75 years old on Thursday March 2, 2006.
He took the occasion to criticize the United States â he said he was sorry that the end of the cold war left the United States with a âComplex of superiority.â
It would be good for the entire world if the US got cured of that disease.
He said that the collapse of the Soviet Union and the end of the cold war was a gift that the United States just thrown awayâ¦.
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02/03/2006
âGorbatchov completa 75 anos e critica os Estados Unidosâ
By France Presse, in Moscou
Folha de Sao Paulo - Brazil
O ex-lÃder soviético e vencedor do prêmio Nobel da Paz Mikhail Gorbatchov completou 75 anos nesta quinta-feira e se declarou triste pelo fato de que o fim da Guerra Fria tenha deixado os Estados Unidos com o que ele chamou de "complexo de superioridade".
"Seria do interesse de todo o mundo que aquele grande paÃs da América se recuperasse dessa doença", declarou a jornalistas no inÃcio desta semana.
Gorbatchov, que lançou as reformas democráticas e econômicas que acabaram levando ao colapso da União Soviética, em 1991, descreveu o fim da Guerra Fria como um presente que os Estados Unidos jogaram fora.
Ele também denunciou uma crescente "russofobia", afirmando que "alguns no Ocidente gostariam de ver a Rússia estrangulada".
"A Rússia, com seu enorme potencial intelectual e militar e o controle de 42% das reservas naturais do mundo, causa medo no Ocidente, e até mesmo nossos amigos hoje temem o renascimento do império russo", afirmou.
O colapso da União Soviética tornou Gorbatchov impopular em casa e muitos afirmam que ele atuou como um cavalo de Tróia para o Ocidente.
"Ninguém é realmente grato, nem no exterior, nem em casa", disse o historiador russo Anatoly Utkin.
"Gorbatchov está profundamente desapontado com o Ocidente, especialmente com Washington, que não honrou praticamente nenhuma de suas promessas depois de todas as concessões [da União Soviética]", acrescentou.
"Gorbatchov se lembra bem que Washington sempre prometeu não avançar para o leste da fronteira da Otan [Organização do Tratado do Atlântico Norte]", disse Utkin, acrescentando que tais promessas sempre foram verbais.
Nikolai Zenkovich, autor da enciclopédia russa Elita, disse que, nas 40 visitas que Gorbatchov fez ao exterior durante os seis anos que passou no poder (1985-1991), ele "quase sempre cedeu a seus parceiros ocidentais".
"Ele também vê que o Ocidente não manteve seus compromissos oficiais, inclusive aquele sob o acordo assinado em outubro de 1990, em Viena, sobre a criação de uma Europa sem alianças: o Pacto de Varsóvia desapareceu, mas não a Otan", disse Utkin.
"Tudo isto deve ter alterado a atitude [de Gorbatchov]" em relação ao Ocidente, afirmou.
Na segunda feira (27), o ex-chanceler alemão Helmut Kohl --que estará entre os 300 convidados à festa de aniversário do ex-presidente soviético, no restaurante Napoleão, em Moscou, nesta quinta-feira-- prestou homenagem ao seu papel na reunificação da Alemanha, em 1990.
O ex-presidente americano, George Bush pai não pôde comparecer, mas enviou uma saudação em vÃdeo para a ocasião.
Foi durante a era Gorbatchov que os soviéticos, notavelmente os intelectuais, começaram a se voltar para o Ocidente em busca de inspiração.
"Idealistas e maniqueÃstas por natureza, os russos da época voluntariamente inverteram um antigo esquema e designaram o Ocidente como o 'bem encarnado' e a si próprios como o 'mal'", concluiu Utkin.
Homenagem
O presidente russo, Vladimir Putin, disse nesta quinta-feira que Mikhail Gorbatchov é o homem que permitiu à Rússia "dar um passo decisivo rumo à democracia" e realizar uma polÃtica "de abertura" na cena internacional, por ocasião dos 75 anos do ex-presidente soviético.
O presidente russo enviou uma mensagem a Gorbatchov, na qual sublinha que o ex-lÃder soviético está entre "os polÃticos que influenciaram a história contemporânea do mundo".
"Seu nome está associado à transição para uma polÃtica de abertura nas relações internacionais. E, obviamente, à s mudanças que permitiram a nosso paÃs dar um passo decisivo para a democracia", escreveu o presidente russo em sua mensagem, segundo a agência Interfax.
Embora sempre muito prudente em seus posicionamentos e defensor, em termos gerais, da polÃtica de Vladimir Putin, o pai da perestroika (polÃtica de reforma, de abertura e de democratização da URSS lançada em 1985) chegou a criticar algumas iniciativas do Kremlin, sobretudo no domÃnio da liberdade de imprensa.
Ontem, Gorbatchov desmentiu ter assinado o pedido feito pelo ex-presidente tcheco Vaclav Havel e várias outras personalidades mundiais contra a polÃtica de Moscou na Tchetchênia e o "retorno à autocracia" na Rússia, por ocasião da visita de Putin a Praga.
Respeitado como figura histórica no Ocidente, mas criticado na Rússia, o ex-presidente soviético convidou na noite desta quinta-feira vários ex-lÃderes estrangeiros para sua festa de aniversário em Moscou, anunciou sua assessoria de imprensa.
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